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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Em destaque: A poesia de Fernando Koproski

Fernando Koproski é poeta, nasceu em Curitiba em 1973. Tem composições em parceria com a banda curitibana Beijo AA Força. Como tradutor, selecionou, organizou e traduziu Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser eu mesmo amém (Sette Letras, 2005), antologia de poemas de Charles Bukowski.

Publicou os livros de poemas: Manual de ver nuvens (1999), O livro de sonhos (1999), Passagens - Antologia de Poetas Contemporâneos do Paraná (Imprensa Oficial do Paraná, 2002), Tudo que não sei sobre o amor (Travessa dos Editores, 2003), Como tornar-se azul em Curitiba (Kafka, 2004) e Pétalas, pálpebras e pressas, (Secretaria de Estado da Cultura/Imprensa Oficial do Paraná, 2004). Fonte da biografia: Travessa dos Editores


síndrome de romeu

nesse armário de indiferenças
há tanto por vestir
mágoa lágrima rancor

felicidade, para e pensa
não sou mais um lugar
a me separar de onde vou

os que têm na alma morte imensa
faz o favor de não insistir
analgésicos nesta febre de flor

é que trago no sangue suspensas
tantas julietas
quanto meu ódio possa supor

em manhãs de insistências
tantas são as rosas
cortando os pulsos neste jardim

mas se ninguém mais vê jardins
apenas deixo nuvens
a tudo quanto não escrevi
amor

nesse armário de indiferenças
há tanto por vestir
meus poentes onde mesmo
os fui pôr?


ácidos líricos

meu bem, desculpe estar
hoje um tanto diferente
se penso mar, lê-se amar
e assim continuamente

mas não sou eu o problema
são os ácidos líricos talando
dissolvendo, transformando

tudo que escrevo em poema
tentei mentir, usar essa energia
para algo útil mas infelizmente
essa é minha sina, minha cisma

só o que eu vivo vira poesia
os ácidos líricos não mentem
essa vida ou será rima ou minha ruína
(De NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009)

"Mas se era um sonho, repetiu, num sonho pode.
Num sonho pode tudo. A água escorria da cachoei-
ra no dia claro enquanto as constelações brilhavam
sobre a cabeça entregue". Caio Fernando Abreu

ontem eu tive um sonho
esse verso poderia começar
qualquer poema

ontem eu tive um sonho
esse verso poderia muito bem
terminar qualquer poema

ontem eu tive um sonho
esse verso poderia simplesmente
ser todo o poema

*

atirado na órbita de um bar
sou logo arrastado ao seu centro
tarde demais desvio o olhar
mas a noite já está lá dentro

onde me espera me chama
um mesmo balcão sem dor
corpos cobertos de chamas
girando devagar ao seu redor
do vermelho nas bocas nos neons
não dá pra se ficar imune
crivado de drinks cravejado de sons
o mar e o amar se unem
na saída tropeçando em letras
a lua tenta me pegar desprevenido
fazendo um céu sem estrelas
disparo meu último verso no ouvido
*

de como um certo poeta fernando
resolveu dar uma de pessoa
mas algo acabou dando errado
surgiu na área um tal de marcos prado

um aqui, este ali, outro lá
sem contar aquele parado
não importa aonde olho há
um eu meu ao meu lado

tinha um dado a conselhos
sempre me deixava um caco
pensando que fosse meu espelho
foi o primeiro que fiz em pedaços

setenta e sete anos de azar
fácil então não tem sido
não param mais de falar
agora de novo no meu ouvido

meus eus, cá entre nós
vamos enfim chegar a um acordo
vocês, me deixem a sós
eu, viver vocês todos? nem morto!
Poemas extraídos de PASSAGENS. Antologia de poetas contemporâneos do Paraná. Seleção e apresentação de Ademir Demarchi. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 202. 428 p. (Col. Brasil Diferente)

ódio platônico

a tua dor que me desculpe
o que você sente nem tem mais sentido
amor então que me preocupe
mas o teu ódio não será correspondido

para odiar te falta destreza
nesse olhar mais mágoa que a tristeza
se ainda não tiver percebido
tua aspereza não me deixa comovido

nem se disser que o que você sente
para nós dois é suficiente
terá possibilidade

um dia você vai entender obsessão
e não ódio de verdade
o que se odeia quando se adia o coração

segunda-feira, 18 de maio de 2009

NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA - ( Lançamento)

Fernando Koproski

Convida para o lançamento do livro NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA, nessa quinta-feira (21 de maio), a partir das 19h30min, na Livrarias Curitiba do Shopping Estação.

Na ocasião, estará acompanhado pelos violões do Rogério Sabatella, que fará a trilha sonora de nosso recital.

SOBRE O LIVRO:

A editora 7 Letras está lançando NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA, o novo livro de poemas de Fernando Koproski.
O amor parece já ter sido abordado de todas as maneiras pela poética moderna. Justamente por isso Nunca seremos tão felizes como agora causa surpresa e admiração, pois consegue renovar o tema, trazendo um frescor à forma de escrever a paixão. Fernando Koproski encara a beleza e as dificuldades das relações amorosas inserido-as nas peculiaridades da vida contemporânea.

SOBRE O AUTOR:

Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 1973. É escritor e tradutor. Publicou 8 livros de poemas, entre os quais: Manual de ver nuvens (1999); O livro de sonhos (1999); Tudo que não sei sobre o amor (2003), incluindo CD que apresenta leitura de poemas na voz do autor e temas musicais compostos por Luciano Romanelli; Como tornar-se azul em Curitiba (2004); e Pétalas, pálpebras e pressas, livro selecionado para publicação pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (2004). Como tradutor, organizou e traduziu a Antologia Poética de Charles Bukowski Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (7 Letras, 2005), bem como a Antologia Poética de Leonard Cohen Atrás das linhas inimigas de meu amor (7 Letras, 2007). Como letrista, tem composições gravadas por: Beijo AA Força no CD Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força; Alexandre França no CD A solidão não mata, dá a idéia; Casca de Nós no CD Tudo tem recheio; e Carlos Machado no CD Tendéu.

Serviço:
Livro: NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA, 118 páginas.
Autor: FERNANDO KOPROSKI
Editora: 7 Letras

Lançamento do livro: nunca seremos tão felizes como agora
Recital e sessão de autógrafos com o autor Fernando Koproski.
Participação especial do músico Rogério Sabatella.
Quando? 21 de Maio, quinta-feira, a partir das 19h30min horas
Onde? Local: Livrarias Curitiba Megastore do Shopping Estação
Av. Sete de Setembro, 2775, centro, fone 41-3330-5119 / 3330-5000

Informações: fkoproski@yahoo.com.br


UM POEMA DE FERNANDO KOPROSKI:

um poeta deve morrer
sem músicas de musas
ao te ver dormir nua
um poeta deve morrer
todas as mortes do sol
no meio das coxas da lua

um poeta deve morrer
porque toda forma
de amar ainda é pouco
e a sua alma já cansou
de tanto se suicidar
no mesmo corpo

(fragmento do poema “um poeta deve morrer” incluído em Nunca seremos tão felizes como agora).


TEXTO DE ORELHA POR RODRIGO DE SOUZA LEÃO:

A poesia de lírica amorosa parecia ter se esgotado no fogo de um tempo onde o amor furtivo e o sexo casual estão cada vez mais em voga. Parecia, mas ainda bem que existem poetas como Fernando Koproski, que mesmo tocando em temática tão abordada na poética moderna, conseguem alcançar enorme êxito e fazem uma renovação e uma revalorização dos modos de escrever a paixão e o relacionamento entre homem e mulher nos dias atuais. Em tempos onde é fácil dizer que ama, mas é difícil encarar de uma forma séria tudo aquilo que o amor dá e tudo aquilo que tira. Encarar a solidão a dois. Desmascará-la. Enfrentar o fogo que arde sem se ver. Aceitar-se enamorado e apaixonado.
O que existe por detrás de cada pensamento encantado? É isso que está no livro Nunca seremos tão felizes como agora. Este que o leitor está abrindo nesta hora pontual, no dia certo, no mês correto e sempre oportuno. E então, estará conhecendo alguns aspectos peculiares da contemporaneidade daquele sentimento que não muda. Ou muda?
Há muito que o homoerotismo vem fazendo um upgrade do tema. Porém faltava tratar a questão com o vigor e o viço da atualidade: mais especificamente no âmbito da relação homem e mulher. Vinicius de Moraes, o poeta da Paixão com P maiúsculo, é uma das influências, não sei se tão angustiadas de Koproski. Mas o projeto do novo poeta paranaense vai além de seguir os passos do mestre. Ele trabalha a linguagem de uma forma diferente e mais próxima do momento em que estamos vivendo. Fragmentação. Descontinuidade. Fugacidade. Tudo isso é tratado de maneira dionisíaca e apolínea. Ora, como se pudéssemos e estivéssemos namorando conosco mesmos. Em outro momento, entregando-nos de forma irremediável ao verdadeiro encontro.
Decerto que Fernando Koproski tem como projeto literário (vide seus livros anteriores) tratar de questões amorosas. Mas também é claro que ele o faz de maneira ímpar. O opúsculo tem poemas em prosa de uma beleza rara e de uma inegável qualidade literária, que está em versos belos como, por exemplo: “minhas asas mutiladas / não sabem ferir / o que eu sinto”. Mentira ou verdade? O poeta finge a dor que deveras sente? O leitor que decida. Enquanto se apodera da grandeza de sua poesia.