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sábado, 28 de março de 2009

Poesia para Curitiba (Deisi Perin)


Fotografia Praça Tiradentes by Deisi Perin

Praça

Ah, essa remodelada praça...
Costumava passear por aqui.
Quando minha vida não precisava ser perfeita. Nem imperfeita.
Quando minha sensibilidade regia as regras e o prazer não precisava ter utilidade.
Quando eu amava matéria e espírito; palavras e poesia.

Ah, essa praça...
Com seus transeuntes interagindo ou não continua a mesma,
e por não ter consciência de que ela precisa ter razão para ser,
ela existiu, existe e existirá.

E eu, dissolvido
entre o passado e a mim mesmo,
passeio pela praça que eu costumava frequentar
quando eu costumava estar vivo.

Deisi Perin

domingo, 22 de março de 2009

Antologia Poesia do Brasil – Poetas Paranaenses participantes do volume 7.




Em 18 de novembro de 2008, foi apresentada à comunidade literária de Curitiba, a Antologia Poesia do Brasil, Vol.7. O evento idealizado pelo núcleo de Curitiba do Proyecto Cultural Sur/Brasil, realizou-se no Centro de Letras do Paraná, em conjunto com a “Tarde da Poesia” – programação da Academia Paranaense da Poesia.
Estiveram presentes diversas Entidades Culturais do Estado e do Município, Poetas da Capital e do interior, Coral da Petrobrás, artistas plásticos, músicos, membros da Comunidade em Geral, além de diversos autores participantes do Volume 7 da antologia Poesia do Brasil, entre eles: - Adélia Woellner, Andréa Motta, Deisi Perin, Eliane Justi, Lucy Reichenbach, Paulo Karam, Paulo Walbach Prestes e Sylvio Magellano.
Dando início ao evento, a Professora Roza de Oliveira – Presidente da Academia Paranaense da Poesia passou a palavra à Coordenadora do núcleo de Curitiba do Proyecto Cultural Sur/Brasil, que realizou breve explanação sobre a antologia, sobre o Projeto Poesia na Escola e Congresso Brasileiro de Poesia. Bem como, apresentou todos os poetas paranaenses participantes do volume 7, convidando os presentes a declamar um de seus poemas constantes do livro.
Ao final foi efetuada pelos autores, doação de diversos exemplares do livro, para o Centro de Letras do Paraná e Academia Paranaense da Poesia - Entidades apoiadoras do evento.
Foram indiscutivelmente momentos de ímpar emoção e alegria. (Andréa Motta).


Paranaenses participantes da Antologia Poesia do Brasil:

Adélia Woellner

Reconhecimento


No espelho das horas,
olhei meu corpo,
o ventre intumescido,
o coração inflado
de sentimentos confusos.

Guerreira inconformada,
usei a lâmina,
sem dó, nem apelo.

Entranhas expostas,
consegui me ver
como sou...

**

Andréa Motta

Trigonometria do teu corpo

Reticente me embriago
no improviso do teu canto
E no imprevisto do afago
Sonho a lua prateando
os ângulos do teu corpo.

Entre a brisa e o vento
na linha divisória do tempo
teu sorriso acelera os batimentos
Me embriago sem anticorpo
no improviso do teu canto.

Lua, lua lua
embebida miopia
e eu tão tua.

**

Deisi Perin
(Deisi Giacomazzi Silva)

Agricultura

Arei sulquei
Cavei adubei.

A semente era eu
Plantada no tempo.
Cortei as raízes,
Nasceram asas.

Mas ainda
não aprendi
a voar.

**

Eliane Justi

Teu jeito

Ah esse teu jeito...
Sapecado de sol, pecado imperfeito.
Teu viço e vitalidade
emanam da tua alma e não da idade.

Hum esse teu jeito...
Acarinha as ondas do peito,
pondo-te inteiro a deslizar
num atiço as águas do mar.

Os mares enciumados reclamam:
as ondas os abandonam
para formar o pico perfeito
a assim, conquistar você e esse teu jeito.

Elas constroem séries só para que você as pegue.
E desenham paredões para que você navegue...
Te envolvem, te molham por inteiro,
prazenteiras roubam-te ao longo do tubo aventureiro.

Ah esse teu jeito... o que mais dizer?
Apenas que é lindo de ver.
Sozinho ou abraçado a tua prancha
Sob teus pés nus, toda a praia se desmancha.

**
Jiddu Saldanha

O vento lambe o rio
afaga a pele da menina
música de pincéis.

**
Lucy Reichenbach

A Céu Aberto

Se de perto me fazes nascer versos
nas lonjuras quebras-me o riso
Sigo uma ferida a céu aberto
Sem lenitivo e sem cura

Os dias voam iguais, nos sinais
Olhos teus em muitos procuro
O vento dança linho nos varais
e entre nós, é largo e alto o muro

secam-me os beijos na boca
esvaem-se os anos pelos dedos
e ainda troa essa voz tua, rouca...

**

Paulo Karam

Juras II

Nesta noite eu juro, meu amor
Ninguém nos há de separar,
Ninguém te fará sentir a dor
e de saudade chorar.

Olha! Esta lua de marfim
guarda na memória esta jura
que resume até o fim
minha alegria santa e pura.

Finalmente nos braços meus!
Este liame da nossa vida
foi atado por graça de Deus.

Meu dever, eu sei, é te amar,
portanto durante a minha vida
Ninguém nos há de separar.

**

Paulo Walbach Prestes

Atrás do tempo...

A hora que passa - o tempo que voa...
Igual ao pardal, que belisca à toa, a manga do meu quintal.
E com o bico ainda sujo, põe-se a voar...

Eu espero assim...
Andando no tempo, tomando a friagem
na garoa gelada, atrás de quimeras,
da doce primavera – do botão da rosa a desabrochar:
É o tempo correndo e a vida trazendo, um novo amanhã no meu despertar.

Arranco um botão... da minha camisa,
pois chega o verão...
E eu, ainda vestido, num dia de sol,
que marca o tempo arranhando o céu.
Com o corpo desnudo e a pela morena,
à beira do mar... É tempo de amar...
o ser que me envolve, na ternura do cheiro e no perfume do ar.

E a folha caída da velha mangueira no outono da vida,
no caderno que leio a poesia que fiz...
Releio a folha marcada, já tão desbotada, pensei ser feliz!

E no sopro do vento, que leva a folha e o tempo, e eu... a esperar,
o encontro da espuma na gulosa areia, o beijo do mar!

Mas, o frio ardido do vento sulino, começa a soprar...
E no fundo da alma, o inverno me acalma a noite me aquece,
ponho-me a sonhar...

Acordo!
Ao ver no relógio o ponteiro girando,
Eu fico a pensar:
Na dura partida, do amor e do tempo, que a vida nos faz...
Tão breve passar!

**

Rodrigo Mebs

Superstição

treva
nem se atreva
atravessar
a minha sorte

trago
meu trevo
de quatro folhas

todas em branco

prontas
para dar a luz
à minha arte.

**

Sylvio Magellano

A Última “Vernissage”

“A noite ficará mil vezes mais triste,
depois que a tua luz me faltar..“.
(Shakespeare).



O casaco de pele ainda guarda
O perfume que ela gostava.
O leve toque de minha mão lembra,
Por breve instante, a fragrância suave
Da última “vernissage”.

Na noite glamorosa toda a elegância
Da mulher vaidosa desfilava, exultante.
A atmosfera festiva brilhava
No seu semblante,
Ela flutuava, atraente, instigante.

A beleza é sua lembrança,
Recordação indelével da vida passada,
Nas fascinantes noites de glória,
Calidamente retidas na memória.

Como um poema
Que conserva o seu brilho...
E não desvanece.