quarta-feira, 27 de julho de 2011

46º FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí

43º Concurso Literário de Contos
Dias 18 e 19 de novembro de 2011
PARANAVAÍ – CIDADE POESIA
INSCRIÇÕES ATÉ 26 DE AGOSTO DE 2011.

Regulamento:

01 - Da promoção
O FEMUP é uma promoção da Prefeitura de Paranavaí através da Fundação Cultural.

02 - Da realização
O Festival será realizado nos dias 18 e 19 de novembro de 2011 a partir das 20h no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa, em Paranavaí-PR.

03 - Dos objetivos
Promover e intensificar intercâmbios de natureza artístico-cultural, além de descobrir e valorizar novos talentos.

04 – Das modalidades
Música, Poesia e Conto.

05 - Das inscrições
a) PODERÃO INSCREVER-SE TODOS OS ARTISTAS RESIDENTES OU NASCIDOS NO TERRITÓRIO NACIONAL;
b) Inscrições abertas até o dia 26 de agosto de 2011; INSCRIÇÕES GRATUITAS.
c) Para inscrição, conta-se a data de postagem dos trabalhos;
d) Cada autor poderá inscrever até 02 trabalhos inéditos, por modalidade;
• MÚSICA: Não será permitida a apresentação de mais de duas músicas pelo mesmo intérprete; As letras das músicas devem ser no idioma português; Não serão aceitos trabalhos na categoria instrumental.
• CONTOS: Não deverão exceder a 10 (dez) páginas.
e) Para a inscrição dos trabalhos, deverão ser enviadas:
• 06 cópias de cada trabalho apenas com o nome da obra e pseudônimo do autor.
• Ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada;
• Para cada modalidade deverá ser preenchida uma FICHA distinta;
• Na modalidade música deverá ser encaminhado apenas 01 CD (gravação de boa qualidade);
• COLOCAR TUDO DENTRO DO MESMO ENVELOPE.
f) O mesmo pseudônimo deve ser utilizado para todos os trabalhos e em todas as modalidades;
g) Os trabalhos devem ser digitados. Não serão aceitos trabalhos manuscritos.
h) TODOS OS TRABALHOS INSCRITOS DEVEM SER INÉDITOS NO FESTIVAL, OU SEJA, O TRABALHO NÃO PODERÁ TER SIDO SELECIONADO EM OUTRAS EDIÇÕES DO FEMUP.
i) Para inscrições na fase Regional, TODOS os envolvidos com o trabalho inscrito deverão residir nas cidades que compõem a Regional de Cultura da AMUNPAR;
j) Os trabalhos deverão ser enviados para:

Fundação Cultural de Paranavaí
Rua Guaporé, 2080 - Cx. P. 511
CEP 87705-120 Paranavaí - PR

Informações:
(44) 3902-1128 - cultura@fornet.com.br

06 - Do julgamento dos trabalhos
Serão formadas Comissões Julgadoras específicas para cada modalidade e as decisões tomadas por essas Comissões serão irrecorríveis.

07 - Da classificação
MÚSICA: 24, sendo 12 da fase Regional e 12 da fase Nacional;
POESIA: 12, sendo 03 da fase Regional e 09 da fase Nacional;
CONTO: 08, sendo 03 da fase Regional e 05 da fase Nacional.
Participam da fase Regional, as cidades que compõem a Regional de Cultura da AMUNPAR.
TODOS OS TRABALHOS CONCORRERÃO EM NÍVEL NACIONAL.

08 - Das apresentações
Dia 18/11/2011 (sexta-feira)
• Leitura dramática dos contos
• 06 músicas da fase Regional
• 06 músicas da fase Nacional
• 06 poesias (Declamação)

Dia 19/11/2011 (sábado)
• Leitura dramática dos contos
• 06 músicas da fase Regional
• 06 músicas da fase Nacional
• 06 poesias (declamação)

09 – Das declamações
• Os declamadores serão escolhidos pela Fundação Cultural de Paranavaí, através do 18º Festival Zé Maria de Declamação;
• A declamação não poderá exceder o tempo máximo de cinco minutos e, para tanto, será permitida a fragmentação do poema.

PARA A CATEGORIA MÚSICA E DECLAMAÇÃO: O ARTISTA QUE NÃO COMPARECER SEM AVISO PRÉVIO DE 30 DIAS, FICA PROIBIDA SUA INSCRIÇÃO NO FESTIVAL SUBSEQÜENTE, SENDO VEDADA SUA PREMIAÇÃO E AJUDA DE CUSTO

10 – Da ajuda de custo
• Música, poesia e conto – Fase nacional: R$ 1.000,00;
• Música, poesia e conto – Fase regional: R$ 500,00;
• Declamação: R$ 300,00;
• Será oferecido, a todos os selecionados que não residem em Paranavaí: Hospedagem e alimentação;
• Os artistas selecionados na fase Regional, que porventura forem para a Nacional, receberão ajuda de custo no valor de R$ 500,00.
• O artista selecionado que não comparecer ao Festival, não receberá a ajuda de custo.

11 – Da premiação
Todos os selecionados receberão:
• 10 antologias FEMUP/2011;
• 01 CD FEMUP/2011/Músicas/Regional;
• 01 CD FEMUP/2011/Músicas/Nacional;
• 01 CD FEMUP/2011/Poesias;
• Troféu “Barriguda”.

12 - Das disposições gerais
• Durante o evento acontecerão diversas atividades como: Leitura dramática dos contos e debates sobre a criação literária e musical com todos os participantes do Festival;
• A Fundação Cultural oferecerá Banda de Apoio a todos os músicos selecionados no Festival.
• Os documentos inscritos no Festival não serão devolvidos. Serão incinerados;
• Vedada a dupla ajuda de custo em caso do autor classificar-se com mais de um trabalho ou em mais de uma modalidade;
• Vedada a inscrição no festival subseqüente ao artista que provocar tumulto, de qualquer ordem, durante o evento;
• Na modalidade música é vedada a utilização de play-back ou qualquer recurso de programação musical, digital, eletrônica, etc., no momento da apresentação;
• Cabe à Comissão Organizadora do Festival responder pelos casos omissos neste regulamento.

CIDADES QUE COMPÕEM A REGIONAL DE CULTURA DA AMUNPAR
Paranavaí, Alto Paraná, Amaporã, Cruzeiro do Sul, Diamante do Norte, Guairaçá, Inajá, Itaúna do Sul, Jardim Olinda, Loanda, Marilena, Mirador, Nova Aliança do Ivaí, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranapoema, Planaltina do Paraná, Porto Rico, Querência do Norte, Santa C. do M. Castelo, Santa Izabel do Ivaí, Santa Mônica, Santo Antônio do Caiuá, São Carlos do Ivaí, São João do Caiuá, São Pedro do Paraná, Tamboara e Terra Rica.

FICHA DE INSCRIÇÃO
46º FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí
43º Concurso Literário de Contos
Dias 18 e 19 de novembro de 2011

MODALIDADE:( ) POESIA ( ) CONTO ( ) MÚSICA
(Atenção: Para cada MODALIDADE deverá ser preenchida uma FICHA distinta)

Título do trabalho 1):
Título do trabalho 2):
Nome do autor:
Nome artístico:
Intérprete (no caso da modalidade música):
Pseudônimo:
Endereço:
CEP: Cx. Postal:
Cidade: UF:
Telefones (indispensável) – Comercial:( )
Residencial:( )
Celular:( )
Outro: ( )

E-mail: (indispensável)
________________________________________
AUTORIZAÇÃO

Autorizamos a utilização dos trabalhos relativos à música, conto ou poesia, por nós inscritos no 46º FEMUP, para publicação de livros, CD's ou quaisquer outros meios de divulgação do evento.
Declaramos conhecer e concordar com o regulamento deste Festival.

__________________,_____de____________de 2011.
Assinatura do autor

Para acessar a Ficha de inscrição Clique AQUI!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

UBT-CURITIBA Saúda os Trovadores em seu dia!

Quando a trova ganha espaço,
sente a extensão incompleta,
pois o "muito" ainda é escasso
para a emoção de um poeta.
Vanda Fagundes Queiróz

Hoje 18 de julho comemora-se em todo o Brasil, o Dia do Trovador. A União Brasileira de Trovadores Seção de Curitiba (UBT-Ctba) presta homenagem aos trovadores em seu dia, com as belissimas trovas de Vanda Fagundes Queiróz e Carolina Ramos, mais um breve video com inúmeras trovas exaltando os trovadores além da pesquisa realizada pelo escritor Português Carlos Leite Ribeiro e artigo da lavra de Eliana Ruiz Jimenez que retrata a Trova no Brasil.


O tempo, que não consome
o viço da Rosa, prova
que, Luiz Otávio, o teu nome
perfuma a História da Trova!
Carolina Ramos


Para visualizar o video em seu tamanho origial acesse o link:
http://youtu.be/piXwQGfuQD4

Dia do Trovador
18 de Julho
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Trovadores
O termo Idade Média foi criado pelos Europeus no século XVII para expressar a ideia de que entre sua época e a Antiguidade Clássica (Grego e Romana) tinha havido uma obscura fase intermediária. No entanto, entre 600 e 1500, datas que aproximadamente marcam o início e o fim da Idade Média, ocorreram vários fatos importantes que não é possível caracterizar o período de modo tão simplista.
No início da Idade Média, por volta dos anos de 600 a 1050, o nível de realização material e intelectual era baixíssimo. O Camponês vivia miseravelmente. Somente uma minoria leiga e eclesiástica possuía propriedades. Os que não possuíam terras, só tinham uma alternativa, a Servidão. O Feudo era unidade de produção e o Servo achava-se vinculado ao Senhor por uma espécie de contrato que implicava em direitos e obrigações recíprocas. A força militar dos Senhores Feudais estava na Cavalaria. Para pertencer a Cavalaria era preciso ser nobre e para ser nobre precisava ter certos recursos, como cavalo, arreios, armas e ajudantes.
Para serem observadas as habilidades dos Cavaleiros eram organizados Torneios, onde os Cavaleiros tinham o corpo protegido por Armaduras, uma protecção de metal que ia dos pés à cabeça do Guerreiro.
A Ordem dos Cavaleiros de Malta foi fundada em 1099, por Gerard de Tom e tinha por meta encargos militares para defender o Cristianismo da expansão dos Muçulmanos. Em 1880 o Papa Leão XIII concedeu à Ordem a Igreja de São Basílio, em Roma e a Ordem está organizada até os dias actuais em cerca de 40 países e dedica-se à actividade assistencial, com hospitais e asilos no Mundo. O nome Malta vem da ilha para onde foram localizados em 1522, onde permaneceram até 1798, quando a ilha foi conquistada por Napoleão Bonaparte.
No século XII Portugal se constitui numa Nação Independente (1113), época também quando começa o processo de urbanização da Europa, com expansão dos povoados, que se transformam em cidades. Uma característica do homem medieval é que ele vivia imerso no Catolicismo desde o nascimento até a morte.
A Universidade é uma criação medieval. Com esse nome, designava-se uma organização geral de professores e estudantes. Os estudantes contratavam professores e durante quatro anos estudava gramática, lógica e retórica e se passasse nos exames, obtinha o grau de bacharel em artes e para garantir a vida profissional estudava mais alguns anos pra obter o grau de Mestre de Artes e mais tarde o grau de doutor em Direito, Medicina ou teologia. A primeira Universidade foi de Bolonha, na Itália, fundada em 1088.
Trovadorismo: Durante os séculos XII, XIII e XIV, desenvolveu-se em Portugal o Movimento Poético que ficou conhecido por Trovadorismo. Produziam-se Cantigas, que eram poemas feitos para serem cantados ao som de instrumentos musicais como a Flauta, a Viola, o Alaúde e outros. O cantor dessas composições poéticas era chamado de Jogral e o autor recebia o nome de Trovador, daí a denominação dada a esse período de Trovadorismo.
O centro irradiador do Trovadorismo na Península Ibérica (Portugal e Espanha) foi a região que compreende o norte de Portugal e a Galiza. Na Galiza havia a Catedral de Santiago de Compostela, construção iniciada em 1075, famoso centro de peregrinações religiosas que atraía e atrai até hoje, milhares de pessoas.
As Cantigas Medievais era apresentadas com acompanhamento musical. As Letras de Canções feitas pelos Trovadores eram cantadas pelos Jograis. Os Jograis passam a condição de Artistas Ambulantes, animando festas em Cidades, Castelos e Torneios. Hoje os Jograis são os Cantadores de Viola. Hoje milhares de pessoas ouvem nas emissoras de Rádio, músicas que falam dos mesmos temas das Cantigas Medievais: Amores não correspondidos, Saudades, etc...
No Período destacam-se os Trovadores galaico-portugueses da Península Ibérica e os Trovadores de Provença, no sul da França, onde no século XI floresceu um rico movimento poético que se espalhou por toda a Europa.
No Género Lírico eram feitas Cantigas de Amor e de Amigo. Mas nem só de amor falavam os Trovadores, construindo poemas satíricos, as chamadas Cantigas de Maldizer e de Escárnio, atacando e satirizando pessoas.
Novelas de Cavalaria : Os Jograis passam a cantar históricos poemas dos Trovadores, descrevendo romances e duelos e brigas dos Cavaleiros. Surge então as Novelas de Cavalarias cujo texto feito pelo Trovador cantava os combates entre vilões e heróis, raptos de donzelas e final feliz. As novelas de Cavalaria constituem exemplo expressivo da influência dos povos ibéricos na formação da Cultura Brasileira. Trazidas pelos Colonizadores, essas narrativas acabaram se incorporando à nossa cultura popular, principalmente a da Região Nordestina, onde a Literatura de Cordel até hoje reflecte essa influência.

Trovadorismo galaico-português
Na Idade Média, a poesia na Península Ibérica era composta e cantada por jograis, que, nas ruas ou na corte, criavam uma arte que viria a constituir um dos momentos mais fascinantes da História da Literatura. Esta série de textos pretende fazer uma sucinta apresentação acerca das principais figuras do mundo jogralesco: os trovadores, os jograis e as soldadeiras.
É difícil estabelecer com precisão o período de tempo em que se inscreve o Trovadorismo galaico-português. Seu princípio é comummente situado em 1196, provável época em que surgiu a cantiga Ora faz ost' o senhor de Navarra, um cacique político de Johan Soarez de Pávia, o mais antigo registro de que dispomos até o presente momento; quanto ao momento em que a lírica galaico-portuguesa cede lugar à chamada galaico-castelhana, portanto o que seria a época de seu término, geralmente são adoptados critérios não estritamente literários, mas materiais: como observa Giuseppe Tavani, o que ocorre é que a poesia do fim do século XIII e princípio do século XIV foi preservada no chamado Cancioneiro de Baena, compilado por volta de 1430, e passou-se a tomar tudo aquilo que nele está como sendo o corpus da poesia galaico-castelhana, embora haja nele textos muito próximos, temática e formular mente, aos cancioneiros galaico-portugueses (Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa e Cancioneiro da Biblioteca Apostólica Vaticana). De todo modo, em meio ao não pequeno conjunto de dificuldades relacionados a esta datação, é possível adoptar como limite o ano de 1354, uma vez que é este o ano da morte de D. Pedro, o conde de Barcelos, o último representante conhecido deste momento literário em que a influência cultural dos trovadores provençais se fazia notar, seja como modelo (caso, grosso modo, das cantigas de amor), seja como princípio catalisador de uma poesia autóctone (caso, grosso modo, das cantigas de amigo).
No entanto, deixando de lado estas labirínticas discussões, o que importa ressaltar é que o Trovadorismo galaico-português – assim chamado, aliás, devido à linguagem literária adoptada por poetas das mais diversas origens: o galaico-português (ou galego-português) – foi um período literário de riqueza indiscutível, que não apenas nos legou algumas obras de beleza incomparável (como a conhecida cantiga de Martin Codax: "Ondas do mar de Vigo, / se vistes meu amigo? / E ay Deus, se verrá cedo!"), como continua a fascinar alguns dos maiores poetas de nosso tempo – pensemos em Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Cecília Meireles, por exemplo. Mas quem eram aqueles poetas? Como viviam, como se formavam?
Durante muito tempo, acreditou-se havia três tipos de poetas na época do trovadorismo: os trovadores, concebidos como poetas e compositores de origem nobre; os segréis, também nobres, mas que dispunham de poucos recursos, sendo por isso obrigados a lançar mão da poesia e da música como meio de subsistência; e os jograis, artistas de origem não nobre, que sobreviviam tocando e cantando as composições dos trovadores – todos acompanhados pelas soldadeiras, cantoras e dançarinas que se exibiam em suas apresentações. As fontes para o estabelecimento dessas categorias eram as próprias composições dos cancioneiros e a Declaratio de Afonso X, uma composição criada com a finalidade de "organizar" as diferentes categorias do mundo trovadoresco, de maneira a separar as camadas inferiores, como os "cazurros" – jograis que faziam exibições nas ruas e praças, mais ou menos comparáveis aos actuais "artistas de rua", – dos jograis de origem mais nobre ou melhor formação.
Entretanto, mais recentemente, pesquisadores como Valeria Pizzorusso e António Resende de Oliveira têm proposto novas formas de compreensão do mundo jogralesco que resolvem melhor as contradições e incoerências subjacentes a esta análise "tradicional". Ocorre que, embora as cantigas identifiquem o segrel ao jogral, a Declaratio aparentemente o associa ao trovador, ao dizer que este era qualificado, nas cortes, como segrel. Desta forma, passou-se a considerar que o termo "trovador" não é um substantivo, mas um adjectivo que qualifica um tipo específico de jogral. Quanto ao termo "segrel", aparentemente trata-se apenas de um termo utilizado como sinónimo para "jogral", durante um período de tempo específico (meados do século XIII), na região de Castela. O que podemos inferir a partir das pesquisas mais actuais é que o termo "jogral" era utilizado como referência a todos os que ganhavam a vida realizando espectáculos perante um público, utilizando os mais diversos recursos: a música, a literatura, a prestidigitação, as acrobacias etc. Os jograis provavelmente haviam surgido dos antigos artistas que, na Antiguidade, apresentavam espectáculos de mímica e declamações, fosse nas ruas e praças, fosse nos palácios reais. Segundo Ramón Menéndez Pidal, o termo seria derivado de joculator, termo utilizado na Europa, no século VII, para denominar os artistas que se apresentavam para o rei ou para o povo.
Henrique Marques Samyn

Designa-se por Trovadorismo o período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV). No âmbito da poesia, a tónica são mesmo as Cantigas em suas modalidades; enquanto a prosa apresenta as Novelas de Cavalaria. A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvação da alma. O maior temor humano era a ideia do inferno que torna o ser medieval submisso à Igreja e seus representantes. São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc. A arte reflecte, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso, essa época é chamada de Teocêntrica. As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos. Há bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra. O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, intitulada Cantiga da Ribeirinha. A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes últimos deram origem ao nome deste estilo de época português. Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o do Vaticano.
As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e maldizer). Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.
Cantigas de amor
Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contactos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível. Reflectindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.
Cantigas de amigo
Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o carácter popular da cantiga de amigo.
Cantigas satíricas
Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.
Cantigas de escárnio - crítica indirecta e irónica
Cantigas de maldizer - crítica directa e mais grosseira
A prosa medieval retrata com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época. A temática das novelas medievais está ligada à vida dos cavaleiros medievais e também à religião.
A Demanda do Santo Graal é a novela mais importante para a literatura portuguesa. Ela retrata as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice sagrado (Santo Graal). Este cálice conteria o sangue recolhido por José de Arimatéia, quando Cristo estava crucificado. Esta busca (demanda) é repleta de simbolismo religioso, e o valoroso cavaleiro Galaaz consegue o cálice.

Textos

Cantiga de Amor

Senhora minha, desde que vos vi,
lutei para ocultar esta paixão
que me tomou inteiro o coração;
mas não o posso mais e decidi
que saibam todos o meu grande amor,
a tristeza que tenho, a imensa dor
que sofro desde o dia em que vos vi.

Quando souberem que por vós sofri
Tamanha pena, pesa-me, senhora,
que diga alguém, vendo-me triste agora,
que por vossa crueza padeci,
eu, que sempre vos quis mais que ninguém,
e nunca me quiseste fazer bem,
nem ao menos saber o que eu sofri.

E quando eu vir, senhora, que o pesar
que me causais me vai levar à morte,
direi, chorando minha triste sorte:
"Senhor, porque me vão assim matar?"
E, vendo-me tão triste e sem prazer,
todos, senhora, irão compreender
que só de vós me vem este pesar.

Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;
graça maior não ousarei rogar.
(Afonso Fernandes)

Cantiga de Amigo

Enquanto Deus me der vida,
viverei triste e coitada,
porque se foi meu amigo,
e disso fui a culpada,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.

E sei que andei muito mal
em zangar-me como fiz,
porque ele não o merecia
e se foi muito infeliz,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.

Certamente ele supõe
que comigo está perdido,
do contrário, voltaria,
porém, sente-se ofendido,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.
( Juan Lopes)

Cantiga de Escárnio

Conheceis uma donzela
por quem trovei e a que um dia
chamei de Dona Beringela?
nunca tamanha porfia
vi nem mais disparatada.
Agora que está casada
chamam-lhe Dona Maria.

Algo me traz enjoado,
assim o céu me defenda:
um que está a bom recato
(negra morte o surpreenda
e o Demónio cedo o tome!)
quis chamá-la pelo nome
e chamou-lhe Dona Ousenda.

Pois que se tem por formosa
quanto mais achar-se pode,
pela Virgem gloriosa!
um homem que cheira a bode
e cedo morra na forca
quando lhe cerrava a boca
chamou-lhe Dona Gondrode.
(Dom Afonso Sanches - Filho de D. Dinis)

Cantiga de Maldizer

Ai dona fea! Foste-vos queixar
Que vos nunca louv'en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!

Ai dona fea! Se Deus mi pardon!
E pois havedes tan gran coraçon
Que vos eu loe en esta razon,
Vos quero já loar toda via;
E vedes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora já en bom cantar farei
En que vos loarei toda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!
(João Garcia de Guilhade)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
==
DIA DO TROVADOR
Por Eliana Ruiz Jimenez
Balneário Camboriú/SC

O poeta é detentor de uma sensibilidade aguçada e tem a necessidade de compartilhar a sua visão emocional e os seus sentimentos com as outras pessoas, transformando essas impressões em versos, que podem ser livres, ou em formatos predeterminados, como na trova, por exemplo.

Os versos livres costumam surgir de repente e arrebatam o poeta onde ele estiver. É preciso segurar a ideia, transpô-la imediatamente para o papel antes que o sopro inspirador se dilua e as palavras se percam.

Já a trova é a expressão poética trabalhada. De formato rígido, requer métrica e rimas, além da expressão de um pensamento completo em quatro versos, sendo que o último arremata a reflexão com um grande final.

Habilidoso, o trovador precisa adequar o querer dizer na precisão das sete sílabas tônicas e ainda provocar no leitor a empatia com a saudade sentida, com o coração partido e – por que não dizer? – com as reminiscências que cada um traz consigo.

Audacioso, o trovador elabora a trova com sofisticação, procurando justapor as palavras num encaixe cuidadoso, observando tanto a forma como a sonoridade, procurando a rima inédita, notável. Vale pensar, refazer, pois o que importa é o resultado perfeito.

A trova é, portanto, a ideia sintetizada, a comunicação imediata, que pode trazer tanto um pensamento filosófico como a sabedoria da experiência, o humor ou o lirismo.

Quando finalmente pronta, a trova é como o filho criado, independente, que percorre o mundo levando a mensagem de seu criador.

Nesse oceano de trovas brilhantes, os trovadores são amigos fraternos que, embalados pela mesma inspiração poética, vão compartilhando a vida nos versos, falem eles das dores sentidas ou das alegrias da jornada.

No dia 18 de julho, data de nascimento de Luiz Otávio, responsável pela consolidação do movimento trovadoresco no Brasil, é comemorado o dia do trovador, data em que todos os poetas e admiradores dessa bela e requintada expressão poética relembram o saudoso e querido amigo, principalmente com a leitura de suas belas trovas, tão contemporâneas, que nos deixam a certeza de um homem que viveu à frente de seu tempo e que assim escrevia:

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos.

*
Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém;
sendo quatro versos breves,
como a trova nos faz bem!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Festividades V Concurso Cidade de Maringá


Aconteceu em Maringá de 24 a 26 de junho próspero passado as festividades de premiação do V Concurso "Cidade de Maringá", o evento promovido pela Academia de Letras de Maringá, reuniu prosadores, poetas e trovadores de diversas regiões do País. Os anfitriões proporcionaram aos presentes momentos de plena magia, de elevação de sentimentos poéticos e de proveitosa convivência.

Abaixo as dez trovas vencedoras do V Concurso, com o tema: Celeiro
grafadas em ordem alfabética.

Nos campos do mundo inteiro
há um contraste que angustia
porque a mão que enche o celeiro
quase sempre é mão vazia!
ARLINDO TADEU HAGEN – BH

Num lar... que falte o sabor
do quitute predileto...
mas, o celeiro do amor
que esteja sempre repleto!
CAROLINA RAMOS - Santos

Os vôos alegres, tristonhos...
Diversidade completa!
Pulsa um celeiro de sonhos
no coração do poeta!
ÉDERSON CARDOSO DE LIMA – Niterói

Coração, velho celeiro,
tanto amou na mocidade
que está cheio, por inteiro,
de sementes de saudade...
HÉRON PATRÍCIO – SP

O meu celeiro está cheio
de feno, alfafa e capim;
e eu, vazio, aqui no meio,
quem sabe farto de mim?
JOSAFÁ SOBREIRA DA SILVA – SP

Da safra não faça alarde,
nem deixe o celeiro aberto,
porque a inveja dorme tarde,
vive atenta... e mora perto!
JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba

Decerto é o ventre materno,
com a semente contida,
um abrigo meigo e terno,
celeiro da própria vida.
MÁRCIA JABER DE BARROS MOREIRA – Juiz de Fora

Por tantos celeiros cheios
e tantos pratos vazios,
a vida nos mostra veios
de desumanos desvios!
MARIA HELENA OLIVEIRA COSTA – Ponta Grossa

Lavrador, são tuas mãos
que, em celeiros colossais,
deixam nas pilhas de grãos
as impressões... digitais!
MARIA LÚCIA DALOCE – Bandeirantes

Sem meus filhos ao meu lado,
contemplo, sem alegria,
o celeiro abarrotado
e a casa-grande... vazia!!!
NEIDE ROCHA PORTUGAL – Bandeirantes
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Veja também algumas imagens do evento clicando sobre as imagens:

Maringá

Festa Literaria de Maringá

Parque do Ingá

Virundum, Poesia de Edimo Ginot

Virundum
Edimo Ginot

no rio das margens plácidas
hoje só corre o esgoto
águas podres, águas ácidas
no rio que morreu de desgosto

o povo heróico do grito
grita forte e grita alto
é o grito de um povo aflito
que tem medo de assalto

quis saber do braço forte
que queria a igualdade
hoje está fraco e sem norte
subserviente à caridade

perguntei da mãe gentil
mas seu destino foi nefasto
deixou os filhos que pariu
aos cuidados de um padrasto

procurei a verde floresta
que todo dia é aviltada
achei foi uma grande festa
a celebrar a pátria "amada"

procurei no céu azul
para achar algo imaculado
achei o cruzeiro do sul
sorte ninguém ter roubado

o gigante dorme, não acorda
não solta a corda do lastro
e enquanto dormia, os calhordas
roubaram a vela e o mastro

pátria não é só a terra
é a terra e o povo também
mas não basta o povo que berra
muito reza e diz amém

e ainda há salvadores da pátria
que se revezam a cada dia
prometendo tudo a todos
realimentando a fantasia

fazem discursos pomposos
em crescente demagogia
mas, embaixo do pano, jocosos
aproveitam a mordomia

dizem que não sou patriota
e querem mudar minha visão
eu só digo: não sou idiota
só quero o bem da nação

Rodrigo Garcia Lopes no Wonka Bar

recital do rodrigo garcia lopes.

terça (05/06), no wonka bar.

Oficina Permanente de Poesia: Um Projeto da Academia Paranaense da Poesia

ACADEMIA PARANAENSE DA POESIA
(Antiga Sala do Poeta fundada em 07/04/73 por Pompília Lopes dos Santos)

BOLETIM DO MÊS DE JULHO DE 2011.
MÊS DE JULHO SÓ ACONTECERÃO AS OFICINAS NA BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARANÁ:

OFICINA PERMANENTE DE POESIA - Projeto: ACADEMIA PARANAENSE DA POESIA e BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARANÁ: 5ªs feiras, das 18 às 19 h: Aula sobre Poesia; das 19h às 19:50 h: Declamação de Poemas.-
R.Cândido Lopes 133 – 3º andar (Voluntariado da Poesia)

07/07 - TRIBUNA LIVRE
14/07 - ALGUMAS POETISAS DO PARANÁ - Adélia Maria Woellner
21/07 - A TROVA NO PARANÁ (IV) - Rose Mari Assumpção
28/07 - INDIA: POESIA CECILIANA - Lilia Souza

Sua Presença e sua Alegria fazem a Festa da Poesia
Roza de Oliveira - Presidente

sábado, 2 de julho de 2011

Museu Guido Viaro apresenta: " O MAGO E O CHAPÉU"


DIA : 02 DE JULHO ( SÁBADO)
20: 30 HORAS
ENTRADA FRANCA

O mago e o chapéu é um grupo que mistura sons eletrônicos produzidos por computadores, com sons de voz e instrumentos excecutados ao vivo.

A orientação estética passeia livremente entre a música eletrônica, a música erudita e a música popular, com muitos componentes inspirados na música étnica, tendo um forte caráter experimental, o grupo busca usar os instrumentos e principalmente as vozes de maneira pouco convencional.

As apresentações são recheadas de técnicas estendidas e sínteses em tempo real, sempre com improvisações.

Integrantes:
*Roni Tinoco – flautas, clarinete e voz
*Thiago Araújo – trompete, flautas e sínteses
*João Triska – baixo, viola caipira e voz
Participação: * Manolo Fraga – percursão voz e sínteses

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Daiani Fagundes Faraj
Coordenadora de Eventos

Museu Guido Viaro (AMGV)
(41) 3018-6194
Endereço: Rua XV de Novembro, 1348
( Em frente à Reitoria da UFPR)

Programa Nossa História: ucranianos no Paraná

A saga dos ucranianos, que completam 120 anos de imigração no Brasil em 2011, é o tema do programa Nossa História deste sábado (2). Transmitido às 19h pela rádio Educativa E-Paraná AM 630, o programa reúne o presidente da Representação Ucraniana no Brasil, Vitório Sorotiuk, e o cineasta e descendente de ucranianos, Guto Pasko.

Pasko é o responsável pelo filme "Made In Ucrânia", lançado em 2005, ganhador de prêmios da categoria. Agora o cineasta finaliza uma nova obra sobre o Ivan Boiko, refugiado da II Guerra Mundial e morador do bairro Bigorrilho (antigo Campo da Galícia). Boiko, 68 anos, depois de se refugiar no Brasil, volta à terra natal e terá sua história contada nas telonas.

Na semana seguinte o programa dará sequência às histórias de guerra, e no dia 16 contará os fatos memoráveis dos imigrantes árabes no Paraná. O programa Nossa História está no ar há oito anos e tem produção e apresentação de Zélia Sell e Guilherme Nascimento. Para ver as fotos e saber um pouco mais sobre o programa acesse o blog http://www.nossahistoriaam630.blogspot.com/.


Serviço:

Programa Nossa História: ucranianos no Paraná.
Dia 02 de julho, às 19h.
Na E-Paraná AM 630. Ouça online em http://www.rtve.pr.gov.br/.

Uma Trova de NEY DAMASCENO

- Meu Deus! Que brilho ofuscante!
Como é lindo este anel seu!
Conte pra mim: é diamante?
- Não. Meu marido é quem deu.
NEY DAMASCENO (nascido Curitiba, falecido RJ)

Coluna Falando de Trova
30/06/2011 - 11h03 (José Ouverney)
http://www.pindavale.com.br/colunas/?cid=1&cod=25

Coluna do Ouverney (Pinda) destaca a festa literária de Maringá.

ACADEMIA DE MARINGÁ

Festa da Academia de Letras de Maringá é festa para ninguém por defeito. De 24 a 26 de junho, poetas e escritores de cinco estados brasileiros desfilaram pelo elegante Hotel Metrópole Bristol. Destaque para o escritor Laurentino Gomes, autor de dois “Best Sellers”: “1808” e ‘1822”, o primeiro já na faixa de um milhão de exemplares vendidos.

Pindamonhangaba também desfrutou do calor e do carinho dos coirmãos maringaenses, lá representada pela poetisa Rhosana Dalle Leme Celidônio/esposo e por este colunista. Ela, com seu belo poema livre “Eterno Celeiro” e eu com uma trova. Todos os trabalhos focados no tema “Celeiro”, que teve, ainda, outras duas modalidades literárias. Ao todo foram 936 trabalhos participantes e 25 premiados, assim distribuídos: 597 trovas (10); 82 sonetos (05), 151 poemas livres (05) e 106 crônicas (05).

A Academia de Letras de Maringá, através de sua brilhante presidente Olga Agulhon, da vice-presidente Jeanette de Cnop, da Secretária Geral Eliana Palma,do Presidente de Honra A. A. de Assis, do 1º Tesoureiro Alberto Paco, mais Jorge Fregadolli, Ademar Schiavone e tantos outros, foram de uma lhaneza sem par, começando pela diferenciada (e pioneira) iniciativa de buscar e levar todos os visitantes à rodoviária e ao aeroporto.

É mais uma iniciativa
que deixa clara mensagem:
- nossa cultura está viva
e está pedindo passagem!

Além dos trabalhos premiados já citados, nas disputas de “concurso-relâmpago” este colunista obteve ainda 3º e 1º lugares no tema “Cocamar” (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá): copatrocinadora do evento).

1º. Lugar:
De um velho e nobre chavão / pra defini-la, eu me valho:
- Cocamar, meu caro irmão, / não é milagre.. é Trabalho!
José Ouverney (Pindamonhangaba – SP)

2º. Lugar:
Na luta da Cocamar, / o amor, trabalho e união,
têm poder de transformar / cada sócio... em um irmão!
Maria Lúcia Daloce (Bandeirantes – PR)

3º. Lugar:
Cocamar é o resultado / da parceria incessante:
nas veias do cooperado / pulsa o sangue de um gigante!
José Ouverney (Pindamonhangaba – SP)

E, assim, Pinda fechou com chave de ouro sua participação no grandioso evento que, mal terminado, já deixa muita saudade.
=
Coluna Falando de Trova
(José Ouverney)

Liamir, memorialista irreverente

Por Aroldo Murá.

Liamir Santos Hauer: irreverência
Talvez o Centro Paranaense Feminino de Cultura nunca tenha estado tão repleto quanto na homenagem prestada à escritora Liamir Santos Hauer, quinta feira, dia 16.
Autora de quase uma dúzia de livros escritos em estilo bem-humorado e irreverente, alguns deles submetendo a verdadeiro strip-tease cenas e figuras da sociedade local, Liamir pode ter granjeado inimizades, mas um exército de amigas e amigos praticamente tomou de assalto a entidade cultural presidida pela professora Chloris Casagrande Justen, a fim de aplaudi-la e participar de efusiva confraternização.
Para uma autora “sui-generis”, a homenagem também foi diferente: em vez de soporíferos discursos e manifestações retóricas, Liamir submeteu-se a uma espécie de “pinga-fogo”, respondendo a perguntas a respeito de sua vida e obra, com intervalos de música lírica e popular brasileira a cargo de Orly Bach e Gilberto Bachmann. Sem papas na língua, a homenageada suscitou momentos de hilaridade e descontração no auditório, com respostas ferinas e recordações fundadas em invulgar capacidade de memória.

HERANÇA GENÉTICA
Liamir é filha da escritora Pompília Lopes dos Santos (falecida com mais de 90 anos) e do professor Dario Nogueira dos Santos. Em primeiras núpcias foi casada com o também professor Ernani Santiago de Oliveira, prefeito de Curitiba em meados do século passado, o que lhe proporcionou o papel de “primeira dama” da cidade, circunstância que ela diz ter detestado, “por não aguentar a bajulação”. Filha do casal, Leila Santiago Bufren é Phd em Documentação, com doutorado na Espanha, e professora aposentada da Universidade Federal do Paraná. Genes positivos, sem dúvida.

YOGA DOS MESTRES
Dos mais interessantes foram os episódios revelados no “pinga-fogo” tendo como protagonista o pai da escritora. Figura marcante do magistério paranaense no séc.XX, o prof. Dario era um homem arrebatado e verbalmente exuberante, lembra a filha, dizendo ser uma réplica da maneira de ser paterna. O que não se sabia, e nem a escritora havia registrado em seus livros, era que um dos pioneiros da yoga no Paraná foi o mestre Dario. E, mais ainda, Liamir revelou que também os mestres Oscar Martins Gomes e Raul Rodrigues Gomes (ambos catedráticos da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná) reuniam-se com seu pai para a meditação periódica, numa época em que raríssimos sabiam sequer do que se tratava.

PRUDÊNCIA DE POMPÍLIA
“Iluminado” pelas meditações, Dario comentou com a esposa Pompília que o amor que dedicava à família era o mesmo que dedicava à humanidade. “Aí você já está indo longe demais”, retorquiu Pompília, salvaguardando os direitos prioritários do lar. E graças a ela, o esposo livrou-se de uma “armação” montada por desafetos, em conluio com a polícia política do Estado Novo. Ao receber uma estranha correspondência entregue pelo carteiro e endereçada a Dario, Pompília percebeu tratar-se de propaganda comunista e antes que chegasse às mãos do marido resolveu destruí-la. Conhecedora do modo de ser do cônjuge, sabia que ele se interessaria em ler mais detidamente o material remetido sabe-se lá por quem. Na madrugada, num período em que o estado de exceção anulara a inviolabilidade do domicílio, a residência da família foi invadida e revistada por policiais, surpresos por não encontrar o material incriminador. Mesmo assim, o professor (que então vivia e lecionava em Paranaguá) teve que vir “se explicar” em Curitiba, livrando-se de maiores problemas graças à prudência da mulher.

CONTRA A VIOLÊNCIA
Liamir também contou episódio ocorrido quanto o povo parnanguara, revoltado com o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos nazistas (há quem ponha em dúvida a verdadeira autoria dos torpedeamentos), passou a atacar violentamente estabelecimentos comerciais de cidadãos ou descendentes de alemães, japoneses e italianos. Dario enfrentou a multidão irada que pretendia destruir a confeitaria (a melhor do gênero na época), pertencente a uma cidadã germânica. Conseguiu impedir a destruição, mas, entre os patriotas mais exaltados da cidade, ganhou a pecha de “nazista” e até integralista (o que jamais fora). Enquanto isso, transferindo-se para Curitiba, a alemã fundou a célebre Confeitaria Schaffer. Referindo-se às vicissitudes paternas, Liamir comentou: “eu sou como ele, e só ainda não fui presa porque, graças a Deus, vivemos numa democracia.

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Publicado originalmente na coluna do autor: sexta-feira 17/jun/2011 18:43

III Prêmio Litteris de Cultura

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I Juegos Florales de Trovas de la ciudad de Concepción - Chile

Sociedade Internacional de Poetas Escritores e Artistas (SIPEA -México),
Sociedade de Arte do Sul (SOASUR - Chile), União Brasileira de Trovadores filial Concepción.
C.U.P.H.I.
II Congreso Universal de Poesía Hispanoamericana
I Jogos Florais de Trovas da cidade de Concepción-Chile -2012

“TROFÉU TERESA GARCÍA"

Regulamento:

1 – Para o Concurso TROVA é: “composição poética de quatro versos setessilábicos, rimando o 1º com o 3º, o 2º com o 4º, e tendo sentido completo”.

2 – As Trovas devem ser inéditas e de autoria do /a Concorrente.

3-Tema: IDENTIDADE- Para trovadores de língua portuguesa.
IDENTIDAD – Para trovadores de língua hispânica.

4– Máximo de 3 (três) trovas, Líricas ou Filosóficas, por Concorrente.

5– Serão consideradas as trovas que cheguem até o dia hasta 15 de janeiro de 2012
(Para ambos os temas, os trovadores enviarão suas trovas, por e-mail, para: gislainecanales@gmail.com
com cópia para: Gerak_mv@hotmail.com

6– Serão escolhidas pelas Comissões Julgadoras, 5 Trovas Vencedoras, 5 Trovas Menções Honrosas e 5 Trovas Menções Especiais, em cada Tema.

7–As Trovas premiadas serão editadas, além do Livro Impresso, em Livro Eletrônico, sem custo para os autores e organizadores.

8- A simples remessa das trovas significa o total conhecimento e aceitação do presente Regulamento, por parte do /a Concorrente.

9- As Trovas remetidas em desacordo com qualquer dos Artigos do Regulamento serão alijadas automaticamente do Concurso e, a remessa de maior número de Trovas que o estabelecido no item 4-(No máximo 3 Trovas) implicará na desclassificação do / Concorrente.

10- Confraternização: de 13 al 18 de agosto do ano de 2012 na Cidade de Concepción-Chile, fazendo parte do II Congresso Universal de Poesia Hispanoamericana, CUPHI y SIPEA México y SOASUR.

11- DIVULGUE!!! COLABORE!!! PARTICIPE!!! CONCORRA!!!COMPAREÇA!!!
Jairo Gerak Millalonco Velásquez- Representante de la UBT en Concepción– Chile
Gislaine Canales – Presidente da UBT em Balneário Camboriú -SC-Brasil

COMO FAZER TROVAS PARA O CONCURSO:

Rimas:

Os versos terão que rimar o primeiro com o terceiro e o segundo com o quarto verso.

Sílabas:

A cada verso terá que ser de sete (7) sílabas, contando-se só até a
sétima sílaba tônica. (As sílabas contadas são poéticas, não gramaticais)
A palavra Tema terá que ser parte da Trova.
A Trova deve ser inédita e de autoria do concursante.
A Trova ter sentido completo.

Não tem que ter continuidade, não é um poema normal, são três trovas independentes uma da outra, serão qualificadas individualmente a cada trova, pode enviar sua identificação, junto das três trovas, na mesma folha, escreva acima: TEMA: IDENTIDADE, depois as três trovas, e sua identificação completa, seu nome, seu endereço postal, telefone e e-mail e as três trovas com a identificação. (sua direção postal completa, telefone e e-mail) a palavra tema, tem que estar dentro da cada trova, em qualquer dos versos da trova.

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“I Juegos Florales de La ciudad de Concepción-Chile”-2012
“TROFÉU TERESA GARCÍA"
Reglamento:

1 – Para el Concurso, TROVA es: “composición poética de cuatro versos heptasílabos, rimando el 1º con o 3º, y el 2º con el 4º, y teniendo sentido completo”.

2 – Las Trovas deben ser inéditas y de autoría del / la Concursante.

3-Tema: IDENTIDADE- Para trovadores de lengua portuguesa.
IDENTIDAD – Para trovadores de lengua hispánica.

4– Máximo de 3 (tres) trovas, Líricas o Filosóficas, por Concursante.

5– Serán consideradas as trovas que lleguen hasta el día 15 de enero de 2012.

(Para ambos temas, los trovadores enviaran sus trovas, por E-mail, para: gislainecanales@gmail.com
con copia para:Gerak_mv@hotmail.com

6– Serán escogidas por las Comisiones Juzgadoras, 5 Trovas Vencedoras, 5 Trovas Menciones Honrosas y 5 Trovas Menciones Especiales, en cada Tema, las vencedoras recibirán el "Trofeo Teresa García", las honrosas y menciones la respectiva Certificación Honorífica.

7–Las Trovas premiadas serán editadas, además del Libro Impreso, en Libro Electrónico, sin costo para los autores y organizadores.

8- La simples remesa de las trovas significa el total conocimiento y aceptación del presente Reglamento, por parte del / la Concursante.

9- Las Trovas remetidas en desacuerdo con cualquier de los Artículos del Reglamento serán retiradas automáticamente del Concurso y, la remesa de mayor número de Trovas que el establecido en el articulo 4-(No máximo 3 Trovas) implicará en la descalificación del / Concursante.

10- La premiación se llevará a cabo del13 al 18 de agosto del año 2012 en la Ciudad de Concepción-Chile, haciendo parte del II Congreso Universal de Poesía Hispanoamericana, CUPHI y SIPEA México y SOASUR.

11- DIVULGUE!!! COLABORE!!! PARTICIPE!!! CONCURRA!!!COMPAREZCA!!!
Jairo Gerak Millalonco Velásquez- Representante de la UBT en Concepción– Chile
Gislaine Canales – Presidente de la UBT en Balneário Camboriú-SC-Brasil

COMO HACER TROVAS PARA EL CONCURSO:

Rimas:
Los versos, tendrán que rimar el primero con el tercero
y el segundo con el cuarto verso.
Sílabas:
Cada verso tendrá que ser de siete (7) sílabas, contándose solo hasta la

séptima sílaba tónica. (Las sílabas contadas son poéticas, no gramaticales)
La palabra Tema, tendrá que ser parte de la Trova.
La Trova debe ser inédita y de autoría del concursante.
La Trova debe tener sentido completo.
No tienen que tener continuidad, no es un poema normal, son tres trovas independientes una de la otra, serán calificadas individualmente cada trova, puede enviar su identificación, junto con las tres trovas, en la misma hoja, escriba arriba: TEMA: IDENTIDAD, después las tres trovas, y su identificación completa, su nombre, su enderezo postal, teléfono y e-mail.

Novidades Cia dos Palhaços

Sábado, 20h, mostra do processo do solo "Louco, eu?" de Sarrafo, no Projeto 30 Dias, invenção inédita da Cia dos Palhaços!


Inscrições abertas para a oficina de Palhaço "Levando o riso a sério", com Rafael Petzet Barreiros.


Domingos de julho, 16 horas, espetáculo musical infantil "A vaca Lelé!"

Momentos com os nossos Poetas: Radio Caicó-RN

Comunico-lhes que sábado dia 02.07.2011 pela Rádio Caicó AM o programa " Momentos com os nossos Poetas" estará prestando homenagem a nossa queridíssima Gislaine Canales, que tanto tem feito pela expansão e pelo engrandecimento do movimento trovadoresco do Brasil, reconhecido e difundido por toda América do Sul, México, USA e até em Israel. O horário: das 17 às 18 horas. Já prestamos muitas homenagens justas e merecidas a tantos amigos e com a GIS não será diferente. Há outros poetas na sacolinha aguardando a vez e toda semana sorteamos um. O próximo poderá ser você. Para ouvir o programa é só entrar no site: www.radiocaico.com.br. e clicar onde aparece RÁDIO AO VIVO e pronto, será nosso ouvinte. Se alguém desejar enviar seu abraço ao vivo por telefone, ligue 84.3421.4181 e nosso sonoplasta o colocará no ar.
Abraços fraternais a todos,
Prof. Garcia.

Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte

Vimos, através desta, informar que o Sr. Arias Manzo, criador do Movimento Poetas Del Mundo será um dos homenageados no 7º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte, pelos relevantes serviços que vem prestando à poesia nacional e internacional e pelos movimentos sociais que incentiva.

O 7º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte será realizado na capital mineira, Belo Horizonte, nos dias 14, 15 e 16 de julho de 2011, com apoio e incentivo dos próprios poetas participantes. O tema deste ano será “A poética e a cultura popular”.

A programação oficial já se encontra no blog: http://www.blogdobelopoetico.blogspot.com/

Para que o homenageado se sinta em casa gostaríamos que ele estivesse rodeado de amigos e para que isso se concretize, estamos isentando da taxa de inscrição os Poetas Del Mundo de Minas Gerais e de Belo Horizonte, que queiram participar do 7º Belô Poético. Para que as inscrições se concretizem basta irem ao 7º Belô Poético na abertura do evento, procurar Virgínia e preencherem a ficha de inscrição dos Poetas Del Mundo.

A abertura oficial acontecerá dia 14 de julho, às 19 horas, no auditório do Sesc Laces – JK, à Rua Caetés, 603, 3º andar, onde os homenageados receberão seus certificados, seguido de show com a dupla de Florianópolis\SC Tatiana Cobbett e Marcoliva, abertura da exposição de poemas ilustrados de Clevane Pessoa e coquetel de confraternização.

Atenciosamente,
Rogério Salgado e Virgilene Araújo
Organizadores
Caixa Postal 836 – Belo Horizonte/MG – Cep 30.161-970
Tel: (31) 3464.8213 – 8421.6827

Inscrições Abertas Ciclos de Leitura Helena Kolody

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A Virtuosa Ópera Barroca

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Inscrições abertas para oficina literária com Luiz Ruffato

De 25 a 29 de julho, Luiz Ruffato coordena oficina de romance na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. Nascido em Cataguases, interior de Minas Gerais, Ruffato é autor da série “Inferno provisório” e do romance “Estive em Lisboa e lembrei de você” (2009), integrante do projeto “Amores Expressos”, entre outros.

Sua obra “Eles eram muito cavalos”, traduzida e publicada na França, Itália e em Portugal, é vencedora dos prêmios APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – e Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional. Em sua bibliografia constam ainda livros de ensaio, conto e poesia.

Os interessados na oficina devem enviar, até 13 de julho, breve currículo e um projeto de romance em até seis mil caracteres para o e-mail oficina@bpp.pr.gov.br .
O material enviado será avaliado pelo próprio Luiz Ruffato. As aulas acontecem das 14h às 18h na Sala de Reuniões da Biblioteca Pública do Paraná. O evento é gratuito e as vagas são limitadas.

As oficinas de criação literária oferecidas pela BPP acontecem mensalmente e trazem escritores, jornalistas e críticos literários. Aliando teoria e prática à experiência dos convidados, oferecem ao público o contato com diversos gêneros. Em 2011, Humberto Werneck e Miguel Sanches Neto já participaram do projeto. Nesta semana, Marcelo Sandmann coordena oficina de poesia, com vagas esgotadas. Ao longo do ano, a BPP ainda realizará oficinas de reportagem, ficção, texto dramático e leitura. O período de inscrição para cada uma é anunciado antecipadamente, assim como o material necessário para inscrição.

Serviço:

Oficina BPP de Criação Literária – Romance, com Luiz Ruffato.
De 25 a 29 de julho, das 14h às 18h.
Inscrições: 13 de junho a 13 de julho.
Na Sala de Reuniões, no 3º andar da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba-PR),
Mais informações: (41) 3221-4974.
Aulas gratuitas. Vagas limitadas

Fonte: SEEC

ATORES,por Pedro Du Bois

ATORES


Deve aos papéis o início.
Rasga as folhas em uníssono.
Desprepara-se para o assunto.
Como seu pai lê os jornais
do dia antes do almoço.

É começo do repasto,
não o gosto, nome repetido
em versos: crime
reconduzido ao álibi.

Enoja folhas em branco.
Suja-as com palavras.
Em vão se escondem. O vento
é seu aliado. Na cumplicidade
atores desempregados.

(Pedro Du Bois, inédito)
http://pedrodubois.blogspot.com

Bruno Gouveia: depoimento

O pior dia de minha vida
Caros amigos, parentes e fãs

Queria começar este post agradecendo a todos pela solidariedade, pelas mensagens de carinho, força, amor, fé, esperança por dias melhores. Em especial, meus familiares e toda equipe de minha banda, o Biquini Cavadão. Meu irmão Fábio e meu amigo Antônio Bindi conseguiram me isolar enquanto eu estava nos Estados Unidos para compor músicas pro novo disco. Sem celular e acesso a internet, não soube do ocorrido. Tinha acabado de chegar de Los Angeles em Nova Iorque. Eu e Coelho pegamos vôos diferentes e nos encontramos no aeroporto. Era para ficarmos três dias na cidade compondo com uma artista neozelandeza. Entretanto, ao encontrar meu guitarrista ele me avisou que tínhamos de voltar para “fazer um show muito importante”. Era cedo em Nova Iorque e passamos o nosso único dia na cidade perambulando pelas ruas até a hora de voltar para o aeroporto. Foi fundamental o seu cuidado comigo, me isolando de possíveis brasileiros que pudessem me dar a trágica notícia. Até no aeroporto, ele conseguiu que eu ficasse em uma sala VIP sem que eu desconfiasse de nada. Ao mesmo tempo, minha namorada Izabella me ocupava o tempo todo, distraindo-me com intermináveis ligações. Ela, cantora da banda Menina do Céu, enviou uma substituta para seus shows e ficou falando sem parar comigo, me distraindo carinhosamente. Por vezes, eu dizia que estava cansado de falar e queria aproveitar a cidade. Ela então enviava mensagens de texto para Coelho: “Ele cansou, agora, segure as pontas!”. E assim, longas horas se passaram até que o avião finalmente decolasse com destino ao Rio.
Ao chegar, fui recepcionado por uma delegação que cuidou de acelerar os tramites com imigração e alfândega (agradeço ao Governador Sergio Cabral por todo este cuidado). Nem assim, desconfiei. Pensava apenas “Nossa, este show deve ser importante mesmo!”. Para evitar sair pela porta principal, onde jornalistas nos aguardavam, me fizeram passar por trás, saindo pelo desembarque doméstico, onde fui recebido pelo meu produtor. Ele me recebeu correndo e me disse para entrar numa sala. Achei que, pela pressa toda em me retirar do local, eu devesse entrar num taxi ou ônibus para o local do show. Ouvi apenas, você tem que dar uma entrevista para a TV Globo. E foi então que notei, ao entrar na sala, que não havia show algum para ser feito, muito menos entrevista.
O primeiro que vi foi Miguel, tecladista do Biquini, mas logo estranhei a presença de Izabella. Numa rápida passada de olhos, notei que meus familiares estavam ali. Todos, menos meu pai.
- Eu já sei porque estou aqui. – tentei adivinhar
- Você sabe? – perguntou minha mãe, chorando
- Bruno, sente-se por favor – pedia meu irmão
- Meu pai….. – balbuciei
- Ele está bem, Bruno, seu pai está bem. – alguém que não me lembro, me avisou

Meu irmão insistiu para que eu sentasse enquanto começava a me dizer que uma imensa tragédia havia se abatido sobre nós.
- Gabriel ? – temi acertar
Então, meu irmão respirou fundo e me contou que Gabriel e a minha ex-mulher Fernanda haviam morrido num desastre de helicóptero em Trancoso. A irmã de Fernanda, Jordana, e seu filho Lucas, também pereceram. Me contou tudo que houve, que Fernanda ainda chegou com vida à praia mas faleceu no hospital.
- Eu não estou ouvindo isso – repetia
E os detalhes eram falados como um esparadrapo arrancado da pele: rapidamente e com muita dor.
- Meu anjinho…. – eu só conseguia dizer isso
E neste momento, Miguel, Birita, minha mãe, Izabella, todos me abraçaram e choraram muito. Eu continuava com os olhos arregalados em total choque. Magal, baixista, não parava de soluçar. Minha tia avó estava inconsolável. Cada um ali sofria minha dor que estava apenas começando.

Com a fala ofegante, eu recusei os remédios, queria ter consciência dos meus atos, e apenas pedi: por favor, me levem a eles. Uma van nos esperava e fomos direto ao Cemitério São João Baptista. Fernanda e Gabriel seriam sepultados juntos no jazigo da minha família.
Permaneci em total estado de choque. Pessoas me cumprimentavam. Colegas de estrada, amigos de longa data, diversos parentes. Minha prima Regina Casé me consolava, mas não era capaz de assimilar o que ela dizia. Sheik, da primeira formação da banda, com quem não falava há muitos anos, se reencontrou comigo. Jornalistas, músicos, primos que vieram de outras cidades, além da sofrida família de minha ex-mulher velavam os dois caixões. Não podia abri-los. No topo, apenas as fotos dos dois. O dia estava bonito e tudo parecia uma cidade cenográfica. Eu certamente acordaria deste sonho, acreditava. Em vão. A coroa de flores do Biquini dizia “Hang on, Be Strong”. Que ironia! Eram os versos de uma música em inglês que fizemos com a cantora Beth Hart em Los Angeles que diziam

Hang on, be strong/ sometimes life can slip away/

Segure firme, seja forte / Às vezes, a vida pode te escapar

Sem saber, havia composto nesta viagem a letra da música para me amparar!

Gabriel viveu 2 anos e dez meses. Tive a felicidade e honra de ser mais que um pai. Eu me apelidava de “pãe”. Logo que ele nasceu, pedi à mãe que, uma vez que a amamentação era um privilégio dela, que o banho dele fosse o meu. E todos os dias eu o banhava, trocava suas fraldas, ninava e o colocava para dormir. Viajava muito mas, em seguida, pegava o primeiro voo para vê-lo acordar e poder passear na pracinha. Eu era o único homem em meio a tantas mães e babás. Tive noites mal dormidas, traduzi-lhe com beijos o que diziam as palavras. Igualmente era o único pai nas aulas de natação para bebês. Participei de cada momento de sua vida com um mergulho intenso e de cabeça.

Fernanda foi minha mulher e companheira por dez anos, convivendo numa querida família. Em 2007, decidimos ter nosso filho e ele nasceu no dia dos pais – o maior presente que poderia receber. Por sorte ou coincidência, não tive show no dia e pude vê-lo nascer. Infelizmente, nosso relacionamento passou por crises que culminaram com nosso afastamento como casal. Divórcios sempre são estressantes mas acreditava que o tempo curaria as feridas e seríamos bons amigos.

Nós dois éramos muito ligados ao Gabriel e eu era um pai coruja que beirava o chato. Meu único assunto era ele. Os fãs se deliciavam, enquanto eu mostrava fotos mais recentes. Também fiz vários videoclipes e, junto com minha ex-mulher, postamos tudo no blog http://mimevoce.blogspot.com contando desde a gestação, passando pelo nascimento e por todos os detalhes do seu dia a dia.

Perdi duas pessoas que marcaram minha vida. E quando o padre perguntou no velório se alguém queria dizer algo, eu levantei o braço. Tirei todas as forças de dentro de mim e cantei:

Tudo que viceja, também pode agonizar… e perder seu brilho em poucas semanas….
E não podemos evitar que a vida / trabalhe com o seu relógio invisível/ tirando o tempo de tudo que é perecivel

Entre soluços e lágrimas, muitos presentes me acompanharam ao som de Impossível, sucesso do Biquini Cavadão.
O detalhe é que cantei “é impossível esquecer vocês”

Ao enterra-los, veio então a difícil tarefa de voltar pra casa e ver seus brinquedos, roupas, abrir a mala e ver tudo que comprei para ele. A palavra para definir o sentimento desde então é DOR. Não uma dor latente, insistente ou aguda. É uma dor que te assalta, te maltrata e te exaspera.
Continuava chorando pouco. Só dizia para todos: “O que está acontecendo comigo? Dediquei minha vida a alegrar as pessoas, por que motivo agora tiram de mim a maior alegria de minha vida”? Incapaz de desabafar, decidi provocar o meu choro. Vi vários vídeos de meu filho, um após o outro, até que veio o grito, a dor, como uma erupção vulcânica. Urros ensurdecedores. Os vizinhos batiam à porta perguntando o que fazer para me consolar. Minha mãe em prantos, Izabella me confortando sem parar. Foi horrível, mas me senti aliviado ao conseguir. Outros descarregos deste tipo vieram ao longo da semana.

Tenho dois shows neste sábado e domingo. Depois de muito pensar, decidi fazê-los. Chamei meu amigo Marcelo Hayena, do Uns e Outros. Ele estará por perto, caso me falte a voz. Ainda assim, estou confiante em cantá-lo até o fim. O motivo é simples. Meu filho nunca viu um show meu, por ser muito pequeno. Agora, ele tem cadeira cativa. E quero fazer para o meu Gabriel, o show mais lindo do mundo. E assim serão todos que eu puder fazer pro resto de minha vida!

Obrigado a todos pela força. Não consegui ler nem metade dos recados, mas deixo aqui o meu muito obrigado emocionado e meu consolo a todos que pereceram no desastre, em especial minha querida Jordana e meu sobrinho Luquinha.

Foi o pior dia de minha vida, mas cada reza, energia, força, recado, me amparou muito. Ainda sofro mas, de agora em diante, terei de viver um dia de cada vez.

Beijem seus filhos com carinho e fiquem com Deus.

Bruno Gouveia

Esse post foi publicado de sexta-feira, 24 de junho de 2011 às 12:45, e arquivado em Post do Bruno.

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Carta às famílias da tragédia
Este texto foi lido por mim na missa de sétimo dia realizada nesta sexta feira, 24 de Junho na igreja Nossa Senhora da Paz. Uma carta celebrando a VIDA. Neste sábado volto a fazer shows. Os primeiros sem meu filho, mas sei que ele estará lá me vendo. Te amo, Gabriel.

Queridos pais, irmãos, parentes, amigos e presentes

Esta noite estamos todos juntos aqui para lembrarmos de quem tanta vida tinha pela frente e que o destino quis que partissem tão cedo. Faço minha as dores das famílias Cavendish, Magalhães Lins e principalmente dos Kfuri. Também oro pela família da babá Norma. Também oro pela família de Mariana Noleto. Também oro pela família do piloto. Não há revolta em meu corpo, não adianta buscar uma culpa, não será mais fácil viver assim, gastando energia naquilo que não os trará nunca de volta.

Nesta igreja, duas semanas atrás, estive com meu filho Gabriel lhe apresentando a “casa do papai do céu”. Eu lhe expliquei que o papai do céu tinha muitas casas como esta para convidar todos a visitar e ver como o céu é bonito, já que a gente não consegue ir lá. Ele me disse que não queria ir pro céu. Então eu ri e lhe disse que um dia Ele nos chamaria, mas que ainda não era hora disso acontecer.

Hoje, meu filho, você está com Ele, Deus, meu pai, puxando suas barbas como uma criança travessa e alegre que sempre foi aqui. Brinque com sua mãe, tia e primo.

Não quero me estender muito, mas preciso dizer algo às nossas famílias que tanto tem sofrido:

Para Fernando, que perdeu a mulher de suas duas filhas, quero dizer que Catarina e Fernandinha serão sempre minhas sobrinhas. Você, que tanto construiu com sua empresa, agora vai precisar se reconstruir. É uma obra de engenharia mais complicada quando o chão lhe é tirado, mas sua família e seus amigos certamente serão seus alicerces.

Para Zé Luca, que sofre assim como eu a perda de um filho, te peço foco e força. Luquinha tinha um sorriso gostoso e um jeito de rir só dele. Tive o prazer de brincar com este menino e sabia que nos últimos meses era a sua força maior para superar os obstáculos que a vida vinha lhe impondo.
Luquinha se foi mas, por esta alegria que sempre foi característica dele, Zé Luca, a vida sempre, sempre fará sentido.

Para a família Kfuri que me recebeu sempre com um carinho imenso nestes últimos dez anos, saibam que eu estou aqui. Sempre estive. Nos últimos meses, minha dor maior era não saber como lidar com cada um de vocês, diante de uma separação inevitável, mas que, acreditei sempre ser cicatrizada pelo tempo. Este mesmo tempo que agora terá de cicatrizar um corte profundo em nossos corações. Não tenho irmãs e sempre dizia que a vida havia me dado quatro de uma só vez ao conhecer a Fernanda. Amizades cunhadas a ouro! Meninas, contem comigo. Dario e Mara: Força!

Estranha paz esta que me invade. Muitos pais vêm chorar comigo, pois sentem a dor daquilo que mais temem. A perda de um filho. Eu lhes digo. Espero que nunca saibam e sintam o que eu, Dario e Zé Luca estamos vivendo. Esta semana, em meio a uma tarde triste em que o vazio me abateu por não ter mais quem buscar na creche, escrevi este texto. Algo que me doeu botar para fora, ou para dentro de mim, mas que sintetiza tudo que sinto e renova minha esperança por dias melhores.

a morte de um filho
é uma gravidez às avessas
volta pra dentro da gente
para uma gestação eterna

aninha-se aos poucos
buscando um espaço
por isso dói o corpo
por isso, o cansaço

E como numa gestação ao contrário
a dor do parto é a da partida
de volta ao corpo pra acolhida
reviravolta na sua vida

E já começa te chutando, tirando o sono
mexendo os órgãos, lembrando ao dono
que está presente, te bagunçando o pensamento
te vazando de lágrimas e disparando o coração,

A morte de um filho é essa gravidez ao contrário
mas com o tempo, vai desinchando
até se transformar numa semente de amor
e que nunca mais sairá de dentro de ti.

Fiquem com Deus! E que Ele tenha piedade de nós.
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Postado originalmente: Esse post foi publicado de sexta-feira, 24 de junho de 2011 às 23:27, e arquivado em Post do Bruno